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Dança, desporto e muita energia são as ‘ofertas’ de Maria Martins

Maria Martins, ou simplesmente Maria como é mais conhecida, tirou o curso de dança e depois o de desporto e desde logo começou a trabalhar, fruto de convites recebidos de escolas e instituições. Nascida e criada em Portimão, onde também estudou até ir para a faculdade, tem 26 anos e além de dar aulas é bailarina no Boa Esperança Atlético Clube. 

“Aos 18 anos fui para Lisboa, para a Faculdade de Motricidade Humana, e terminei o curso quando apareceu o covid. Para me prevenir, porque a dança podia não ter muita saída, resolvi tirar outro curso, relacionado com o desporto”. Maria voltou a fazer as malas e rumou de novo à capital, beneficiando de ter equivalência de algumas cadeiras e especializando-se no treino personalizado e nas aulas de grupo, de fitness, que lhe permitiam trabalhar em ginásios.

Com o segundo diploma nas mãos e com o verão à porta recebeu, de imediato, propostas para iniciar a atividade em Portimão. “Regressei e até hoje tem corrido bem. A nível do desporto dou aulas de grupos – que gosto imenso – a várias faixas etárias, leciono atividades extracurriculares a crianças em algumas escolas e estou em Alvor, na hidroginástica, com pessoas mais velhas”. Na dança, ensina em Armação de Pêra, onde tem cinco turmas, e, além de tudo isto, é bailarina e integra o teatro de revista do Boa Esperança.

A vida de Maria tem sido pois atribulada, no bom sentido, sem mãos a medir para responder a todas as solicitações. Tudo o que faz, de resto, é com carinho e respeito pelas pessoas, não admirando que colecione um vasto leque de ‘admiradores’ em virtude da sua energia contagiante e do estreitar de relações que cultiva no quotidiano com os portimonenses e todos os algarvios.

O primeiro grupo “só de raparigas”
O gosto pelo desporto vem desde o tempo do liceu, quando resolveu experimentar a dança e aproveitar as sessões que então decorriam no Boa Esperança. “Os meus pais conheciam o Carlos Pacheco e falaram com ele”, recorda, aludindo às primeiras aulas e ao grupo “só de raparigas” que se formou sob as ordens do carismático responsável. “Mais tarde apareceu o Edmundo Inácio, que mostrou interesse em formar dupla comigo para entrarmos em competição”.

A novidade não tardou a ganhar espaço na carga horária que Maria já dedicava às danças de salão, formando par com Edmundo. “Os nossos pais ajudaram do ponto de vista monetário, alguns estabelecimentos comerciais da cidade também patrocinaram, tal como o Boa Esperança, e a verdade é que tudo correu às mil maravilhas. Fomos campeões nacionais e tivemos um pódio na Taça de Portugal, com participações em espetáculos e eventos para os quais éramos convidados”.

A vida, depois, separou os dois dançarinos, já que Maria foi estudar para Lisboa e o seu par para o estrangeiro. Saliente-se, a propósito, que Edmundo Inácio não tardou a brilhar em larga escala no panorama musical português, primeiro pela participação no ‘The Voice’ e depois no Festival da Canção, sendo hoje um cantautor conhecido. “Tenho acompanhado a carreira do Edmundo e é com grande orgulho que vejo o seu sucesso”, confessa a amiga.   

No Boa Esperança, para onde a conversa novamente nos remete, vai entrar no quarto ano de participação nas revistas. “Sempre adorei este tipo de espetáculos. Acabava a dança e ficava a ver os ensaios, a produção dos cenários do Flávio e as indicações do Carlos. Mais tarde, já após os estudos, ligaram-me a perguntar se estava interessada em fazer parte do elenco e disse logo que sim”.
 
A dança no topo das preferências
A dança, de facto, é a sua grande paixão. Gosta muito de desporto e de dar aulas, sente-se privilegiada pelo que faz, inclusive porque trabalha “com pessoas diferentes, de contextos e zonas diferentes, seja em Portimão, Alvor ou Armação de Pêra, e, se for preciso, desloco-me a Faro para workshops”, mas a dança está no topo das preferências.

Os ensaios no Boa Esperança para a próxima revista não devem tardar, o que lhe vai ocupar mais tempo, mas nada disso a demove e é sempre com agrado que se desloca à ‘Emotion Dance Academy’ de Armação. “Faço mesmo o que gosto. A dar aulas sou o cérebro, idealizo e crio, e na revista sou apenas mais uma, uma intérprete que produz o que lhe é pedido”, comenta Maria, reconhecendo ao Portimão Jornal que o entusiasmo pelas danças de salão “arrefeceu um bocado” nos últimos tempos a nível geral.

Nas danças dá ‘high heels’, ou dança de salto alto, um estilo sensual e técnico que mistura jazz, ‘street dance’ e ritmos latinos, focado no uso de saltos altos. “Serve também para a autoconfiança e empoderamento”, vinca Maria, que também ensina ‘girlie pop’ a raparigas dos cinco aos 18 anos, um estilo moderno cheio de energia e expressivo e com raízes no hip hop.

No meio de tanta atividade, “a chave é ser organizada e por isso fecho os meus horários em maio e junho com vista ao ano seguinte”. Ainda há tempo para organizar as aulas e até treinar, prossegue Maria, admitindo que no período da revista o tempo é mais limitado, sobretudo por causa dos espetáculos. Mas… quem corre por gosto não cansa, e a jovem portimonense, que foi monitora nas férias de verão durante oito anos, garante que a paixão supera todos os obstáculos.

Maria alimenta mais ambições na sua carreira, ou não fosse ainda uma jovem, destacando duas de imediato: “Gostava de poder dançar num evento de grande dimensão, tipo festival de um cantor conhecido, com a plateia cheia. Gostava de ter essa experiência. No desporto, quero dar aulas de step, uma atividade de grupo que em Lisboa é muito procurada, ao contrário do que aqui sucede. Requer investimento para comprar os steps, mas é a minha aula favorita e sonho implementá-la em Portimão”. Para quem não sabe, o step é um exercício físico aeróbico, com um ‘degrau’ para realizar coreografias de subida e descida ao ritmo da música.

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