A vantagem de ter consultado 298 empresas em 12 países, a maioria com bons resultados, é que os empresários falam com outros, tornam-se amigos, visitam Portugal, analisam investimentos e sugerem-nos melhores condições. Exportadores de peças para a NASA, de agro-indústria, inovadores na construção em Brasil, Suécia, China, Rússia e América atuam em condições muito distintas e, para concorrer a nível mundial, estudam potenciais clientes, distribuição, leis e investimentos noutros países. Dizem que Portugal tem bom potencial, mas há setores a melhorar.
As agências de controlo nada controlam. As telecoms têm o maior índice de reclamações de toda a UE e a Anacom apenas as re-envia às operadoras, que respondem ao reclamante como já antes o fizeram. Nada mudam e a Anacom nada faz. No norte da UE, o cidadão tem razão e se a operadora não corrige, é obrigada a pagar uma coima ao cliente e ao governo. E após várias reclamações similares é obrigada a mudar o aplicativo para não perder a licença, que é pública é pode ser suspensa a qualquer hora. Um empresário reclamou-me da DIGI, que cobrou aos dois adultos da mesma família pelo mesmo serviço. Com o débito automático, as telecoms fazem o que querem. Outros mudam de operadora a cada dois anos, pois, após a fidelização, usurpam preços, taxas e usam truques incríveis.
O mesmo relativo à eletricidade. Após quase um ano de bons serviços, a Galp enviou um link a um cliente a dizer que o contrato seria alterado em 01/01/26. O link não abriu, aparentemente um ‘crash’ entre aplicativos. O cliente reclamou, nada mudaram. O cliente escreveu que o contrato não poderia ser alterado sem a sua leitura. Mas foi. A fatura que recebera antes era de uns €45-50 por mês e meio, subiu para €154. Ele reclamou, solicitou dia e valor da leitura do contador de eletricidade, não respondido. Reclamou, com dados duplicados da fatura, com uma estimativa muito acima do normal, que poderia chegar aos €60. Enviou a reclamação à ERSE, nada mudou.
Há bancos que fazem o mesmo. Um investidor enviou uma reclamação ao Banco de Portugal, que a reenviou ao banco, que respondeu ao investidor com o mesmo texto anterior. A reclamação ao banco levou 10 dias a ser respondida, e ao BdP veio no dia seguinte. Mas nada mudou.
Os investidores tecnológicos e potenciais importadores dizem-se inseguros com negócios em Portugal. Aqui reina o “quero, posso e mando”, não mais sob um único político, ou banqueiro até agora sem a sentença final. Agora os cartéis mandam e as agências falam, mas nada fazem.
Isto espantou dezenas de investidores de alta tecnologia que nos visitaram. Ficaram os que usam fundos que o governo lhes oferece, dizem contratar milhares de técnicos. Mas quem conhece essas empresas afirmam que não chegará a metade. Muitos trarão para cá equipamentos semi-novos, para poderem investir no topo de gama lá. O grande lucro irá para lá. E os nossos esforçados empresários e os que mais nos interessam, ao analisar como o cartel manda em setores básicos, as concessões, têm medo de cá investir.
A crise que se avizinha fez centenas de corporações aumentarem os seus fundos de reserva, em vez de distribuir os lucros. Se o governo não copiar o modelo onde o cidadão tem maioria de votos nas agências, para realmente controlar as concessões, teremos uma crise pior do que a de 2010.








