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Rafael estreia-se na coreografia e dança em palco com Tiffanie 

O Festival Entrelaçados começa já este sábado (dia 22) e marca a estreia de Rafael Couto como coreógrafo, um dos muitos aspetos relevantes de um evento que continua a marcar a diferença, e que, neste caso, serve de rampa de lançamento a um jovem portimonense de 22 anos que se licenciou há seis meses e que, como confessa, tem andado num carrossel de emoções nos últimos tempos.

“Tem havido muito stress, mas acredito que do ‘caos’ surja bom material, passando pelo público e com o empenho dos alunos, o que tem sido muito agradável”, atira Rafael, aludindo à peça ‘Como sardinhas enlatadas’, uma composição coreográfica de sua autoria que é, também, um teatro de criação. “Vimos obras no Museu e a partir dessa análise os alunos fizeram pequenos guiões. Tem a ver com lendas e memórias de Portimão e é um puzzle que vamos montando em conjunto”.

Rafael estudou na Escola da Bemposta, formou-se na Escola Superior de Dança de Lisboa e esteve em Espanha. “A Dancenema confiou no meu trabalho e é a minha primeira peça a sério. Acredito que vai correr bem”, adianta, satisfeito com as propostas de trabalho que vai recebendo e pronto a “trazer cultura e novas visões, numa linguagem com cunho pessoal”. Entre a coreografia e a dança, escolhe “o melhor dos dois mundos”.

Além do espetáculo de abertura, Rafael contracena com Tiffanie Millenka num café-performance marcado para dia 27, nas instalações do Clube União Portimonense, local em que o Portimão Jornal assistiu a um ensaio e esteve à conversa com os artistas. “Fala da importância das pistas de dança ao longo dos tempos, um olhar, uma partilha com movimento artístico e espontâneo. Tem, igualmente, uma influência cultural, visando pessoas de diferentes extratos sociais e grupos marginalizados, que têm assim a oportunidade de se expressarem”, explica Tiffanie, bailarina e coreógrafa, que, não obstante os seus 44 anos, diz estar “cada vez com mais energia”.
 
Convidar o público a dançar
Sócia do Clube União Portimonense, Tiffanie quis aproveitar um espaço do seu agrado para avançar com esta performance. “Gosto do trabalho do Rafael, da parte teatral, e, já que estamos no clube, vamos usar linguagem contemporânea, liberdade e convívio social”. A peça terá a duração de 45/50 minutos e a ideia passa por interagir com o público, levando-o até a dançar, com mistura de partes irreverentes, cómicas e poéticas.

Ao piano estará Paulo Segurado, o presidente da coletividade, homem de artes que, embora rotule de “inesperado” o convite, prontificou-se logo a colaborar. “O foco vai estar nos bailarinos, mas é a minha área. É bom ter um leque de sócios assim”, atira, referindo-se a Tiffanie. “O Clube União vai continuar a investir e a explorar outras vertentes e atividades”, fiel ao seu compromisso com a cultura.

Nilsen Jorge, diretora artística e figura maior da Dancenema, junta-se à conversa para sublinhar que o Entrelaçados “tem vindo a crescer muito” e lamentar que “este ano não tenha apoios governamentais”. Mesmo só em duas cidades, “vai ser uma semana intensa, com inúmeras ofertas e uma tertúlia cultural, que é novidade nesta edição”. Aos 70 anos, continua bem ativa por “amor à arte” e considera “estimulante ver esta rapaziada jovem com força e garra para apoiar o nosso projeto”.
 
Relevância pública e cultural
Esta 7ª edição do Festival de Dança Contemporânea Entrelaçados reforça a ideia de estarmos perante um espetáculo de criação, encontro e reflexão artística, cuja programação, rica e diversificada, reúne artistas profissionais e propostas multidisciplinares ao longo de uma semana. É um “projeto de relevância pública e cultural, comprometido com a democratização do acesso às artes, a valorização da criação contemporânea e o fortalecimento da identidade cultural do Algarve”.

Iniciativa da Associação Cultural Dancenema, o Entrelaçados surgiu em 2016, em Portimão, e desde aí vem crescendo, com ‘ramificações’ nos concelhos vizinhos de Lagos, Lagoa e Silves. Este ano decorre em Portimão e Lagos, com o apoio dos respetivos municípios, abrindo com o tal espetáculo de rua ‘Como Sardinhas Enlatadas’, que ocupará o espaço público da Fortaleza de Santa Catarina, na Praia da Rocha.

A programação, de resto, é muito rica, com vídeo-dança, circo, dança aérea, tertúlia cultural, café-performance, workshop de teatro e, a terminar, um espetáculo no Auditório do Museu de Portimão em que são apresentadas curtas peças em formato de solos e duetos.

Os principais obreiros desta mostra, que é já uma referência nas artes portimonenses, são Thora Nadeshka, responsável pela produção executiva; Nilsen Jorge, diretora artística; os bailarinos e coreógrafos residentes Rafael Couto e Tiffanie Millenka; e os técnicos Beatriz Bernardo e Jorge Fonseca.

A sétima edição do Entrelaçados realiza-se de 22 a 28 de fevereiro, em Portimão e Lagos, com a seguinte programação: dia 22 de fevereiro, às 18h00, abertura do festival com o espetáculo de rua ‘Sardinhas Enlatadas’, na Fortaleza da Praia da Rocha; dia 24, às 20h30, Mostra de Vídeo-Dança na Biblioteca Municipal de Portimão; dia 25, às 14h30, La Trotola (público escolar), e, às 20h00 (público em geral), Arakê, no Centro Cultural de Lagos; dia 26, às 10h30, Oficina Aéreos, no Teatro Experimental de Lagos, e, às 20h30, Tertúlia Cultural (‘O papel da arte na sociedade’), na Casa Manuel Teixeira Gomes; dia 27, às 20h30, Café-Performance, no Clube União Portimonense; dia 28, das 14h00 às 16h00, Workshop Dança-Teatro na Casa das Artes Portimão, e, às 21h00, Solos e Duetos no Auditório do Museu de Portimão.

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