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João Bracourt e Museu juntam-se em homenagem aos pescadores

O fotógrafo João Bracourt possui ascendência materna em Buarcos e teve um tio-avô capitão bacalhoeiro. Sempre gostou do mar, tendo criado nome como fotógrafo de surf. Desta vez, tendo como único objetivo, segundo as suas palavras, homenagear os pescadores, foi ao mar na famosa traineira ‘Arrifana’ e compilou 11 fotos de grande formato, que se encontram patentes no Museu, até 26 de junho.

Ao mesmo tempo, produziu um pequeno vídeo, com cerca de 20 minutos, sobre a faina da pesca da sardinha, a bordo da mesma traineira, e ligando o nome da embarcação ao trabalho desenvolvido pelos pescadores, chamou ‘Arrifaina’ à sua exposição fotográfica e ao vídeo.

Este foi um tributo à pesca tradicional da sardinha e às comunidades ligadas ao mar, tendo como elemento central a traineira ‘Arrifana’, símbolo da memória e identidade marítima local.

Como complemento à inauguração dos trabalhos, no dia 31 de maio, a Confraria Gastronómica da Sardinha de Portimão, após a apresentação do filme, lançou alguns factos sobre as duas traineiras ‘Arrifana’ no período áureo das pescas e também sobre as alterações que estes profissionais ligados ao setor sofreram no capítulo da vendagem e da descarga.

Um registo quase improvisado
Segundo descreve o Museu de Portimão, no início da recolha destes elementos, “a câmara fotográfica utilizada pelo autor ficou inoperacional, permitindo apenas um breve registo inicial de 17 minutos. A partir dessa circunstância, João Bracourt recorreu a meios alternativos, como câmara de ação, telemóvel e drone, dando origem a uma abordagem visual assente na espontaneidade e na proximidade ao quotidiano vivido a bordo”.

Esse pequeno documentário foi exibido após a inauguração da exposição, que além de fotos, integra ainda vários objetos associados à atividade piscatória, como redes, sonar e outros instrumentos de bordo, contribuindo para uma contextualização do universo da pesca tradicional da sardinha.

Uma paixão pelo mar que nasceu cedo
João ‘Brek’ Bracourt, nascido em 1971, na Figueira da Foz, viveu sempre junto ao mar, entre esta localidade, Faro, Lagos e Portimão. A caça submarina e o surf marcaram desde cedo o seu percurso pessoal, assim como uma forte sensibilidade visual, influenciada também pela ligação familiar à música.

Neto de José Bracourt, compositor com o maior número de temas registados na Sociedade Portuguesa de Autores, herdou também essa proximidade ao universo artístico e criativo. Nos últimos anos, dedicou-se de forma mais intensa à fotografia, centrando grande parte do seu trabalho nas ondas da costa portuguesa e em viagens à Indonésia, onde aprofundou a sua linguagem fotográfica ligada ao surf e ao quotidiano das comunidades locais.

O seu percurso inclui colaborações com marcas, atletas e projetos editoriais, contribuindo para a divulgação internacional da costa portuguesa. Publicou trabalhos em revistas como ‘The Surfers Journal’, ‘Stab’, ‘Surf Europe’ e ‘ONFIRE’ e em diversos websites internacionais da especialidade.

Ao longo da sua carreira, João Bracourt tem desenvolvido um olhar singular sobre o oceano e a cultura do surf, conciliando uma abordagem documental com uma forte componente artística, descreve a autarquia.

“O seu trabalho distingue-se pela atenção ao detalhe, pela utilização expressiva da luz natural e pela capacidade de captar a dimensão crua e poética do mar”, conclui a Câmara Municipal.

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