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ICIA recorda ‘Percursos de Memória, Identidade e Poder 

O Instituto de Cultura Ibero-Atlântica vai promover um ciclo de palestras este ano, sob o mote ‘Percursos de Memória, Identidade e Poder’, com curadoria de Maria da Graça A. Mateus Ventura.

A primeira conferência será no dia 30 de maio, às 18h00, na Biblioteca Manuel Teixeira Gomes, e contará com Ana Maria de Azevedo que abordará ‘A Natureza Brasílica vista pelo jesuíta Fernão Cardim (séculos XVI – XVII)’.

“O achamento ou descobrimento da Terra de Vera Cruz trouxe uma nova natureza brasílica. Novas paisagens com bons ares, feliz temperança do clima, variedade de alimentos, muitos estranhos e exóticos, como a mandioca, o caju, o maracujá, a ‘erva santa’, ou seja, o tabaco. E, a diversidade da fauna que permitia ‘comer carne aos dias santos sem cometer pecado…’, como o peixe-boi, que mais parecia vaca que peixe”, descreve o ICIA. O tatu e o tamanduá, além da variedade e beleza das aves, eram outros dos animais presentes.

“A atração pelas novas paisagens, odores, sabores e cores, conjuga-se com o olhar pelos novos povos, com estrutura física, costumes, cerimónias e hábitos muito diferentes. Eram as Sociedades Ameríndias! Bons caçadores, pescadores, guerreiros, que tanto adoravam as suas crianças, como eram antropófagos”, acrescenta. Foi desse contacto que nasceram textos de diferentes origens que deixaram para a memória futura testemunhos importantes. Entre esses depoimentos destacam-se os do Pe. Fernão Cardim S.J. (1548-1625).

Ana Maria de Azevedo, professora durante cerca de 50 anos no ensino secundário, onde lecionou as disciplinas de história, história da cultura e das artes, e no ensino superior, onde lecionou história do Brasil, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, versará sobre estes factos.

Esta será, porém, apenas a primeira conferência de um ciclo que se estende ao longo do ano em diversos pontos da cidade. Isto porque, a programação aponta para mais palestras, sendo a seguinte alusiva à ‘Fortaleza de Santa Catarina de Ribamar’, por Bruna Galamba, CHAM, Universidade Nova de Lisboa, no dia 27 de junho, às 18h00, na sala de formação do Museu. A 19 de setembro, às 17h00, no mesmo local, o tema será ‘A Ilíada e a Odisseia’, por Adriana Nogueira, da Universidade do Algarve, ICIA, e no dia 24 de outubro, às 17h00, António Jorge Afonso, da Universidade de Lisboa, ICIA, estará na sala do descabeço, no Museu, para falar sobre ‘O Compromisso Marítimo de Lagos. O assistencialismo no último resgate de cativos portugueses em Argel (1810)’.

O ciclo conta ainda com ‘Episódios da história dos judeus do Algarve medieval: as comunidades de Loulé, Tavira, Silves e Portimão’, por José Alberto Tavim, da Universidade de Lisboa, ICIA, no dia 28 de novembro, às 17h00, na sala de formação do Museu, e encerra com ‘As guerras da Restauração no Algarve’, por Pedro Pires, do CMCM, no dia 18 de dezembro, às 18h00, no auditório do Museu.

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