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Agrupamento 159 muito perto de ter verba para ir aos Açores

O Grupo de Pioneiros do Agrupamento 159 de Portimão do Corpo Nacional de Escutas continua empenhado em juntar os dez mil euros necessários para participar no XVI Jamboree Açoriano, que irá realizar-se em São Miguel, entre 21 e 26 de julho, e, nas últimas semanas, tem aumentado a azáfama, vendendo material próprio no Mercado e bolos à porta da Igreja. “Até lá, teremos a verba necessária”, confidencia Paulo Mendes, chefe de agrupamento, convicto de que todo o esforço será devidamente recompensado.

O Portimão Jornal tem acompanhado o processo e desta feita esteve à conversa com o principal responsável, um pré-aposentado, de 58 anos, que começou a frequentar o meio em 2002, “puxado pelos filhos”, mas então apenas como mero apoiante. “Fiz parte da comissão de pais, mas só isso. A minha filha mais nova ainda cá está”, conta Paulo Mendes, que em 2007 foi convidado para integrar a direção. “Não tinha experiência, apesar da ligação que fui tendo com o agrupamento. A adaptação, contudo, foi fácil, porque somos uma família bastante unida, não obstante algumas divergências, de todo naturais. São os miúdos que nos motivam, o zelar pelo bem-estar deles, até porque ter filhos de outras pessoas à nossa guarda é uma grande responsabilidade”.

O grupo foi fundado em 11 de novembro de 1962 e a sede funcionava na antiga Igreja do Colégio, que foi passando por remodelações. “Estamos aqui há dez anos, na Rua França Borges, com melhores condições, graças também ao Padre Mário de Sousa, da Igreja Matriz, que é nosso assistente do agrupamento”, salienta Paulo Mendes, ao mesmo tempo que nos vai mostrando as instalações, amplas e devidamente aproveitadas, com salas acolhedoras para as diferentes secções deste grupo de escuteiros se reunirem e darem largas à imaginação. “Vamos fazendo obras de melhoramento, para os miúdos e para nós, com a ajuda de beneméritos, porque sem algum apoio nada se consegue”.
 
Incutir um espírito de irmandade
O agrupamento comporta 114 elementos, com a devida divisão por secções e faixas etárias. Os lobitos, dos 6 aos 10 anos, são 32; dos 10 aos 14 temos os exploradores num total de 28; dos 14 aos 18 são os pioneiros, reunindo 26 membros; e os caminheiros, dos 18 aos 22 anos, são oito. Os dirigentes preenchem mais 20 lugares, sendo que Paulo Mendes é o responsável máximo, havendo depois o adjunto, tesoureiro, secretário e chefes de unidade.

“Os miúdos, enquanto estão aqui, esquecem o mundo lá fora, dos telemóveis, dos computadores, e centram-se nas patrulhas, nas equipas que trabalham em grupo. Apesar das diferenças, incutimos a ideia que somos todos iguais, ricos ou pobres, brancos ou escuros. Até digo que aqui não tenho filhos, mas que são todos meus filhos. Incutir este espírito de irmandade é, também, algo que muito nos move”, enfatiza o chefe do agrupamento.

Todos os sábados há reuniões, por volta das 15h30, nas quais são transmitidos ensinamentos, como o lidar com o dinheiro e o apelar ao respeito pelas coisas mundanas, que em casa e na escola passa às vezes mais despercebido “Eles têm também a responsabilidade de gerir um espaço que é deles, incluindo o dinheiro, proveniente das quotas. Nas atividades de campo, quando vão acampar, fazem as compras com esse dinheiro, que tem de ser bem gerido”, prossegue Paulo Mendes, aludindo ainda a outras tarefas, como o cozinhar e a construção de mesas com madeiras para comer. “Levam a cabo várias coisas que nas escolas não aprendem”, enfatiza.

“Ajudamos ainda a Proteção Civil e os Bombeiros e vamos para
o terreno, sobretudo quando há catástrofes, pois somos
igualmente voluntários”

Para muitos dos jovens o escutismo é segunda opção, já que alguns colocam o desporto à frente, “mas tentamos puxá-los para nós e não os deixamos à boa vida”, graceja o responsável, sabendo que nesta “corrida desenfreada pela vida o tempo muitas vezes escasseia”. Ponto alto das atividades, os acampamentos – de sexta feira ou sábado a domingo – são mensais e quase sempre na Mexilhoeira Grande, onde o convívio com a natureza dita leis. “É bastante saudável e estamos à vontade, num recinto tipo fechado, junto ao rio”.
 
Distribuir e confecionar refeições no terreno
Existem mais atividades, de tipo regional, promovidas pela Junta Regional do Algarve, também com acampamentos. A ligação com a Igreja é estreita e todos os sábados o agrupamento comparece na eucaristia, prestando também apoio às procissões, em colaboração com o Padre Mário.

Foto: D.R.

“Ajudamos ainda a Proteção Civil e os Bombeiros e vamos para o terreno, sobretudo quando há catástrofes, pois somos igualmente voluntários. Distribuímos refeições e até as confecionamos, embora com a ajuda dos mais velhos”, sejam dirigentes ou, por exemplo, as esposas dos Bombeiros, conta Paulo Mendes, referindo que o grupo tem mais raparigas do que rapazes.

Sem saltar etapas indispensáveis à afirmação dos jovens enquanto parte de um bem maior, o Jamboree Açoriano, todavia, já mexe com todos, dirigentes incluídos. “É uma atividade incrível! Estive lá em 2009 e gostei imenso, quer pela mística, pelo envolvimento das pessoas e pela enorme camaradagem, seja em São Miguel ou em outras ilhas. Parece que já nos conhecemos há anos e é, sem dúvida, uma atividade de referência”, assume o chefe do agrupamento.

Ao Jamboree – uma grande reunião internacional ou nacional de escuteiros, caracterizada por acampamentos, intercâmbio cultural, atividades ao ar livre e fraternidade – vão também grupos de outros pontos do país, num total previsto de cerca de 2000 pessoas, entre 21 e 26 julho. A deslocação do ‘159 de Portimão’, para um total de 25 elementos, orça os 10 mil euros, a tal quantia que continua a ser angariada. E em bom ritmo.

“Está tudo bem encaminhado. Os miúdos estão motivados para arranjar o dinheiro e mostraram interesse em participar. Além da receita da noite de fados, que muito agradecemos à Sociedade Vencedora, fazemos vendas no Mercado, de material nosso produzido pelos miúdos, e, à porta da Igreja Matriz, também vendemos bolos. Depois, lá para maio ou junho, está previsto um sunset no Lugar do Rio, com idêntico propósito. Grão a grão enche a galinha o papo e acredito que até julho teremos a verba necessária para a viagem aos Açores”, vinca Paulo Mendes.
 
A Promessa e o lenço
Além do Jamboree, que se realiza de quatro em quatro anos e esteve ‘parado’ por altura da covid, há um outro encontro de escuteiros, o Acareg, um Acampamento Regional que tem passado por Portimão e que junta sempre jovens de outros pontos do país. Por falar em Portimão, no concelho existem outros dois grupos, o Agrupamento de Nossa Senhora do Amparo e Agrupamento do Alvor. “Naturalmente, temos boas relações com todos, pois no escutismo constituímos uma família grande e entendemo-nos às mil maravilhas”.

“São os miúdos que nos motivam, o zelar pelo bem-estar deles,
até porque ter filhos de outras pessoas à nossa guarda é uma grande responsabilidade”

Nestes 20 anos de atividade no Agrupamento 159, Paulo Mendes refere que têm surgido algumas alterações nas linhas a seguir, mas nada que não se resolva. “Temos de nos adaptar aos tempos, face às mudanças a nível nacional, em que é a Junta Central que emana diretrizes. Dentro do escutismo há várias etapas de progresso, e, aquilo que antes estava mais centrado, agora vai mais de encontro ao que é feito lá fora, com reflexos no que se passa no dia a dia. Temos de nos adaptar, repito, não é fácil, mas tem de ser”.     

Até ao fim do ano, além do Jamboree e de mais acampamentos, os jovens portimonenses vão organizar o tal sunset, um pôr do sol no Lugar do Rio – Espaço Jovem (localizado no Parque de Feiras e Exposições), e mais duas atividades. “São sugestões deles, que depois nós damos andamento ou não. Mas se pudermos, avançamos. Em maio ou junho vamos ainda fazer uma caminhada, com bifanas e petiscos”, diz Paulo Mendes, adiantando, a título de curiosidade, que cada escuteiro paga 40 euros/ano de quota.

“Os pais são colaborantes e incansáveis. Pedimos que eles acompanhem os filhos e, quando precisamos de ajuda, não falham, como sucedeu na Promessa do passado dia 8 de fevereiro”.

A Promessa é um compromisso pessoal e voluntário, assumido com honra, para viver segundo a Lei do Escuta, servindo o próximo, a Igreja e a sociedade. É um ato simbólico, assinalado com a entrega do lenço. E o lenço, usado ao pescoço, é o símbolo que identifica o escuteiro (a par da farda), que tem de fazer por o merecer, funcionando como prémio quando sobe de categoria.

Foto: D.R.

O número de elementos do Agrupamento 159 de Portimão tem vindo a crescer nos últimos anos e cifra-se agora nos 114, mas ainda não bateu o recorde, que, curiosamente, está nas 159 unidades. “Com o Covid houve uma diminuição grande e ficámos apenas com 60 membros. Uns acabaram por se afastar de vez, outros têm regressado, e a verdade é que estamos a recuperar”, garante Paulo Mendes, acrescentando que depois dos 22 anos todo o escuteiro tem de passar a dirigente. “Efetuamos uma reunião de direção por mês, a menos que surja um caso excecional. Mas em casa, note-se, estamos também sempre ocupados com tudo isto, preparando as reuniões deles e com eles. Os miúdos mostram empenho, fazem coisas diferentes do quotidiano, o que lhes desperta interesse, como, por exemplo, as construções. Nós vamos ensinando o que sabemos, e eles, quando não sabem, têm de perguntar. Mesmo a nível de comando, por norma, tudo corre na perfeição.

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