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Sucesso do Mundial de Ultimate consolida estatuto de Portimão

A equipa dos Estados Unidos da América dominou o Mundial de seleções de ultimate de praia, conquistando oito das dez medalhas de ouro em disputa (Canadá e Alemanha ficaram com as restantes), mas o Clube de Praticantes Ultimate Portimão também saiu vencedor, aumentando o prestígio e confirmando a apetência para realizar grandes eventos deste desporto num palco privilegiado como é a Praia da Rocha.

“Podemos dizer que foi um êxito, já que o feedback de toda a gente, dos jogadores às equipas técnicas, à Federação Internacional (World Flying Disc Federation) e à Câmara Municipal de Portimão, que nos apoiou, não podia ser melhor”, considera Pedro Vargas, diretor da prova e presidente do Clube de Praticantes Ultimate Portimão, que organizou o torneio em conjunto com a entidade internacional, na semana de 16 a 22 de novembro.

A satisfação, de facto, é praticamente total, já que para além do sucesso em termos organizativos, da espetacularidade dos jogos e da afluência do público, também tudo correu de feição no plano desportivo, logo a começar pelos números: estiveram em ação 2300 atletas, registo que sobe para 2500 se juntarmos as equipas técnicas.

E, considerando as famílias, “facilmente associamos ao evento cerca de 3500 pessoas, para além dos muitos portimonenses que acompanharam e mostraram interesse na modalidade”, sublinha o diretor e figura incontornável da modalidade, destacando ainda o ambiente fantástico e dando conta dos voluntários, staff técnico, elementos dos media e pessoal da federação internacional.

Continuando a enumerar, nas dez divisões de competição participaram 38 países, num total de 136 equipas, que evoluíram em 24 campos e fizeram 786 jogos. “Tendo por base outros eventos que já organizámos, este foi de longe o que trouxe mais pessoas, como se viu pelo mar de gente na praia, no passadiço e junto aos hotéis. Foi bastante positivo também para a economia local”, assinala Pedro Vargas, referindo outro dado que o deixou deveras satisfeito: as visualizações atingiram o bonito montante de cinco milhões na plataforma digital, sinal de que este desporto, onde o disco é rei, tem cada vez mais adeptos.
 
Saúde competitiva num patamar elevado
Portugal apresentou três equipas, uma mista, uma mista de masters (veteranos) e outra masculina. “Comparando com outras competições na última década e meia, ficámos abaixo do que normalmente tem sido feito. É um período de transição, em que alguns dos que vêm integrando a seleção competem agora nos veteranos, com reflexos no escalão sénior, onde se nota alguma inexperiência. É uma renovação geracional”, justifica Pedro Vargas.

Já a realidade do Clube de Praticantes Ultimate Portimão, o único emblema algarvio filiado na Associação Portuguesa de Ultimate de Praia, é bem diferente. E para melhor. “Este ano, em junho, fomos campeões europeus de clubes, em Gdansk, na Polónia, na divisão mista, o que aconteceu pela primeira vez, depois de termos sido antes finalistas vencidos, numa demonstração de saúde competitiva num patamar bastante elevado”, afirma o também atleta, de créditos firmados, que desta vez não integrou a Seleção Nacional por ser incompatível com o cargo de diretor do Mundial.

Nem tudo, porém, é um mar de rosas, com Pedro Vargas a reconhecer que existe “dificuldade no recrutamento e entrada na comunidade mais jovem” da cidade e do concelho. “Temos também condicionantes em termos de espaços. Treinamos duas vezes por semana no Pavilhão da Mexilhoeira Grande, em horários mais tardios, o que sucede desde que há três anos deixou de haver iluminação na Praia da Rocha, ou seja, ficámos sem possibilidade de usar esse espaço – onde nós treinávamos – durante a semana em horários mais favoráveis. Agora temos de nos ajustar e de rentabilizar ao máximo a atividade”.


 
Mais visibilidade para a modalidade
Portimão tem muita vida associativa e imensa prática desportiva, pelo que os espaços de treinos são muito disputados, como o Portimão Jornal já tem realçado. “Temos 20 atletas e existe dificuldade em recrutar, como disse, mas o objetivo deste evento era também o de dar mais visibilidade à modalidade”, jogada sem árbitro e cujo objetivo das equipas passa por fazer chegar o disco à ‘área’ adversária.

Para isso também contribui o apoio do município, que “tem sido sempre importante, quer para estas organizações quer diretamente ao clube, através do contrato-programa”, salienta Pedro Vargas, justificando a aposta na competição e a procura de um nível mais elevado “nos três ou quatro torneios que por ano fazemos fora do país”. Seja como for, “também temos noção de que a dimensão que têm o clube e a modalidade – ainda sem federação – cria alguns entraves”.

Na Praia da Rocha estiveram em ação jogadores de Singapura, Japão, Filipinas, Colômbia, Líbano, Turquia, ou seja, um vasto leque que abrangeu todos os continentes, numa festa de dimensão mundial que animou e coloriu o areal e propiciou um convívio a todos os títulos notável. “É algo que demonstra o crescimento progressivo da modalidade, com mais praticantes, muito participativo e de enorme diversidade”, conclui Pedro Vargas.

Estruturas, contactos e reconhecimento geral

“O reconhecimento por parte da Federação Internacional é sempre importante, é a prova de que o trabalho foi bem feito, mas o mais importante é da parte dos jogadores. Mesmo com eventuais erros, se para eles foi tudo ótimo… é o melhor”, inclusive porque o negócio local ficou igualmente a ganhar, assinala Pedro Vargas. O impacto no concelho foi excelente, o que dá ainda maior entusiasmo para voltar a organizar o Mundial de clubes, como aconteceu no ano passado. “O acordo não está finalizado nem tem data definida, mas Portimão reúne todas as condições para o receber e para nós faz todo o sentido. Temos estruturas, contactos e as pessoas querem que voltemos”.

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