Home / Opinião / Sair da Crise do Século

Sair da Crise do Século

Jack Soifer | Consultor


Ao contrário do que a grande maioria dos governos diz, já estamos na maior crise da metade deste século. Há dois anos, os bancos e a maioria das corporações elevaram os seus lucros, mas não os distribuíram aos acionistas. Aumentaram os seus fundos de reserva, à espera desta crise.

As razões são muitas: duas grandes guerras, o natural aumento nos preços do crude, o brutal aumento nas verbas para armas, a inflação, a incerteza do futuro, a insatisfação dos eleitores com governos que mais representam outros interesses do que os do cidadão. E a TV que foca o sensacional, não o essencial.

Na União Europeia isto agrava-se com a promessa de doar dezenas de milhares de milhões de euros para recuperar a Ucrânia e elevar a compra de armas, o que beneficiará a economia dos EUA, da Alemanha e de França. A emissão de dívidas do Euro para limitar o aumento dos impostos, levará ao aumento da inflação, dos juros. E milhões de hipotecas irão a leilão público, levando a que milhares de famílias tenham que se mudar para longe dos seus trabalhos. Nada de novo, isto já aconteceu muitas vezes nos recentes 40 anos.

Só que o Algarve sofrerá mais do que outras regiões. A especulação imobiliária, baseada no branqueamento de capital e na chegada de estrangeiros ricos, cairá. Hoje 28% das grandes obras pararam, pois as tranches, o financiamento planeado com a banca, param por falta de venda das parcelas. E poucas serão retomadas.

O turismo cairá em mais de 25%, pois a insegurança física e financeira fará com que as férias fiquem pelo país de origem. O acordo UE-Mercosul afetará as nossas exportações, e milhares de produtores rurais do Alentejo, que passam o fim de semana no Algarve, já não o farão. A nossa produção de vinhos, e a do Alentejo, vendida a bons preços para turistas, cairá.

Muitas das infraestruturas prometidas por Câmaras Municipais e governos não se realizarão, pois a arrecadação prevista cairá. O aumento do desemprego no setor fará com que milhares de imigrantes tenham apoio social o que aumentará o desencontro entre partidos que apoiam o governo. Talvez tenhamos eleições antecipadas.

Para limitar as falências, o desemprego e o caos, os governos devem fazer o que a banca já fez. Devem reduzir os seus custos, a burocracia, e ouvir mais o cidadão. Para equilibrar o poder não representativo de assembleias, o Presidente pode nomear uma Comissão de Consultoria, com técnicos experientes, não políticos, como vários países o fazem.

Portugal deve enfrentar a pressão dos países que se beneficiam com a guerra e promessas indevidas, e negar aumentar a verba para armas. Deve considerar o que oito dos pequenos países já discutem, sair do Euro, como dez dos 27 o são. Yes, we can – PREVENIR A GRANDE CRISE!

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *