A exposição fotográfica ‘Portugal Profundo’, que retrata vidas e lugares nas décadas de 60 a 80 do século XX, compila diversas imagens captadas por Marques Valentim e António Marreiros e pode ser vista até 30 de maio na Casa Manuel Teixeira Gomes. São os olhares de dois fotógrafos que, apesar de percursos distintos, estabelecem um diálogo visual de que remonta há mais de 60 anos.
Por um lado, Marques Valentim, que nasceu em 1949 em Cascais, frequentou o curso de Fotografia e Cinema nos Serviços Cartográficos do Exército, em Lisboa. Mais tarde, cumpriu o serviço militar obrigatório em Moçambique, como furriel miliciano foto-cine.
Iniciou a sua carreira no fotojornalismo após o 25 de Abril de 1974, colaborando com a Agência Europeia de Imprensa e com o diário ‘A Luta’, onde permaneceu até à sua extinção, em 1979. Integrou a equipa fundadora do ‘Correio da Manhã’ e, mais tarde, trabalhou no ‘Portugal Hoje’, até ao encerramento deste matutino, em 1982.
Por outro lado, António da Silva Marreiros foi um artista portimonense que conciliou o ofício de barbeiro com a fotografia, a poesia e a pintura, tendo falecido no ano passado. Filho de agricultores, nasceu no Sítio de São Pedro, na Mexilhoeira Grande, a 12 de janeiro de 1932. Antes dos 14 anos, partiu para Portimão para aprender a profissão de barbeiro, procurando afastar-se do trabalho agrícola. Foi na barbearia de Valentim Dias que estabeleceu o primeiro contacto com a fotografia, influenciado pelo seu patrão, que acumulava as duas atividades.
Aos 23 anos, abriu a sua própria barbearia na Mexilhoeira Grande e, dois anos depois, perante a escassez de trabalho diário, começou a dedicar-se à fotografia. Tornou-se, desde então, o principal fotógrafo da freguesia, registando casamentos, batizados e outras celebrações, mas também as paisagens, as gentes, as atividades e as tradições locais, estendendo o seu olhar às geografias envolventes.
Nesta exposição, que cruza dois olhares distintos sobre o ‘Portugal Profundo’, os visitantes são conduzidos por territórios, mais ou menos afastados dos grandes centros urbanos e do desenvolvimento litoral, que preservam ritmos próprios e uma ligação profunda à sua matriz rural.
Assim, Marques Valentim apresenta um conjunto de fotografias, a maior parte inéditas, captadas em lugares que vão do interior norte do país, até ao Alentejo. A estes retratos contrapõem-se os de António da Silva Marreiros, captados na Mexilhoeira Grande, freguesia rural onde cresceu, e nas suas imediações.
Ambos mostram gestos e rostos, paisagens e caminhos, vivências, rituais e festividades, aproximando-os naquele que é um testemunho de elevado valor histórico e etnográfico sobre os modos de vida de um povo. As imagens constituem também uma forma de reconhecer geografias e paisagens, de evocar gentes e de valorizar o património, refere a Câmara Municipal de Portimão.
Não se limitando ao interior da Casa Manuel Teixeira Gomes, a mostra integra ainda seis imagens colocadas na fachada exterior do edifício, impressas em ‘telas’ de grande dimensão e iluminadas durante a noite.
📷CM Portimão/Miguel Veterano








