Foi no Dia Mundial das Zonas Húmidas, que se assinalou a 2 de fevereiro, que os municípios de Portimão e Lagos, formalizaram um acordo de cooperação que visa recuperar a Associação de Municípios da Ria de Alvor.
Esta associação foi criada em 2005 e, até 2011, altura em que se deu a grave crise económica, materializou uma estratégia política comum, que tinha como primeira missão proteger e valorizar aquela zona, promovendo o seu uso sustentável, a conservação ecológica e o seu desenvolvimento económico e cultural, melhorando a qualidade de vida de residentes e visitantes.
Visto que continuam a existir muitos pontos em comum na gestão desta zona húmida, os autarcas responsáveis decidiram assumir este compromisso como prioritário para o atual ciclo político.
A cerimónia de assinatura da Carta de Intenções com este propósito teve lugar no Centro Interpretativo do Salva-Vidas de Alvor e contou com as participações de Hugo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Lagos, e de Álvaro Bila, edil da autarquia portimonense, bem como os vice-presidentes e outros membros do executivo camarário, Sofia Santos, presidente da Freguesia de Odiáxere, António Santana, da Freguesia de Alvor, e Ricardo Sobral, da Mexilhoeira Grande.
Importantes recursos naturais
“A Ria de Alvor é um património natural que une Portimão e Lagos e exige uma visão partilhada. Esta Carta de Intenções reflete uma vontade política clara de trabalhar em conjunto, que saúdo na total disponibilidade e compromisso manifestados pelo presidente da Câmara de Lagos, para reativarmos a Associação de Municípios da Ria de Alvor e garantirmos uma gestão responsável, sustentável e com visão de futuro para este território comum”, afirmou Álvaro Bila ao Portimão Jornal.
Por sua vez, Hugo Pereira considera que esta assinatura é importante por voltar “a pôr de pé a Associação e pôr em prática aqueles que eram os objetivos principais aquando da sua criação, relacionados com os valores naturais, culturais e económicos, que aquela ria representa tanto para o lado de Portimão, como para o lado de Lagos”.
O autarca considera que, ainda mais nas questões ambientais, “há urgência e emergência de pôr em prática um plano de salvaguarda daquela zona para combater os riscos que estes estuários acabam por ter, sobretudo numa altura em que estas zonas são extremamente divididas em termos de gestão e consideramos ser importante ter aqui uma tutela mais próxima e concentrada”, esclarece ainda.
Os autarcas querem ter em conta as associações e entidades que já existem na zona, trabalhando em conjunto, mas defende que esta área precisa de “ser gerida por alguém que está mais no terreno”, refere ainda.
Ou seja, as autarquias estão mais próximas da realidade da zona e podem trabalhar em conjunto com os locais com mais facilidade do que as entidades que gerem estes espaços e que são diversificadas, como as que tutelam a pesca ou o património cultural, exemplifica.
“Esta associação poderá vir a ter esse papel numa zona que é muito importante a todos os níveis. Agora estão reunidas as condições necessárias”, conclui ainda Hugo Pereira, que refere que contarão com as forças vivas locais, o Estado Central e associações de defesa do ambiente, porque há naquela área muita economia, turismo e outras atividades.
O que prevê esta Carta de Intenções?
Entre as diversas ações previstas, este documento vai “capacitar o território para uma gestão conjunta e responsável de um valioso património partilhado e comum, valorizar o território através de classificação ‘ambiental e sustentável’, explorar o potencial identitário do território através da valorização dos seus recursos naturais, históricos e ambientais e compatibilizar de forma responsável e sustentável o uso do território de forma clara e regrada”.
“Aprofundar os conhecimentos científicos e académicos que consolidem uma visão estratégica e de acompanhamento ao território sustentável”, bem como “criar políticas e consequentes instrumentos de conservação e valorização do território com especial enfoque na matéria ambiental” são outros dos objetivos, lê-se ainda no documento.
Com uma visão de futuro, os autarcas pretendem ainda “desenvolver trabalhos para a devida atualização e revisão dos estatutos à luz da legislação atual aplicável, redefinir um plano de ação, captar financiamentos para a persecução do plano de ação”, capacitando a Associação agora reativada.








