O executivo da Junta de Freguesia da Mexilhoeira Grande, liderado por Ricardo Sobral, promoveu uma sessão de esclarecimento, no dia 7 de novembro, aberta a toda a população, para apresentar a atual situação da extensão do Centro de Saúde naquela vila e as soluções concretizadas para garantir acesso aos serviços.
A falta de médicos, em consequência da entrada de baixa da profissional que estava alocada àquele equipamento, levou a que os utentes vissem muitas das consultas já agendadas serem desmarcadas, havendo também um acumular de pedidos de receitas.
Contactado pelo Portimão Jornal, Ricardo Sobral, presidente da Junta de Freguesia da Mexilhoeira Grande, explicou que, para já, essa dificuldade foi minimizada com a colocação de um médico que estará a efetuar consultas três dias por semana.
“A ideia de realizar a sessão teve a ver com o facto de este ser um assunto delicado para comunicar as diligências feitas pela Junta de Freguesia no sentido de minorar a situação de alarme social que decorre na Mexilhoeira Grande e que está ligada ao problema que o Centro de Saúde vive” na atualidade.
Assim que tomou posse, o autarca reuniu com diversas instituições da freguesia, tendo a unidade de saúde sido uma das prioritárias. “Encontrei uma situação em que a médica de família estava de baixa e só tínhamos um único profissional a fazer uma manhã por semana. Muitas consultas foram desmarcadas e havia muitas receitas por passar. A situação pareceu-me demasiado grave, motivo pelo qual falei com Álvaro Bila, presidente da Câmara Municipal, e foi agendada logo para o dia seguinte uma reunião com a direção do Agrupamentos de Centros de Saúde Algarve II (ACES) – Barlavento”, descreve.
SOLUÇÃO A CURTO PRAZO
As várias situações que afetam o funcionamento desta extensão não podem, porém, ser resolvidas no imediato, segundo ficou assente nessa reunião. No entanto, era urgente que fosse acautelada uma medida, no imediato, que garantisse que a população tivesse acesso aos serviços de saúde.
“A curto prazo conseguimos a colocação de um médico três dias por semana, que já está a realizar consultas, pelo que, neste momento e até a doutora regressar da baixa, só não há médico na Mexilhoeira Grande um dia por semana. O outro doutor continua à sexta-feira de manhã também”, garante Ricardo Sobral.
A pretensão é implementar outras medidas que levem a que este polo funcione nos moldes anteriores, com dois médicos a tempo inteiro, assegurando que dá resposta às reais necessidades da população da freguesia.
MEDIDAS A MÉDIO PRAZO
Para voltar a uma situação de resposta adequada, são necessárias outras ações, que não podem ser implementadas de um momento para o outro, mas que a médio prazo podem ser uma realidade. Há várias alternativas em cima da mesa, que ficaram já assentes nessa reunião que os representantes do executivo da Junta e da Câmara Municipal tiveram com a direção do ACES.
“Foi-nos comunicado que, em abril, haverá um novo concurso para médicos de família. O que se tentará encontrar é um conjunto de incentivos que permitam que um profissional que concorra opte por ficar na Mexilhoeira Grande”, refere Ricardo Sobral em declarações ao Portimão Jornal. Isto porque, na atualidade, os médicos têm opção de escolha do local, mediante as vagas que são abertas para cada unidades. “Não há ninguém que possa dizer a um médico que tem de ir para a Mexilhoeira Grande, a não ser que seja a única vaga disponível naquela unidade de saúde, o que não se verifica. Por isso, o que ficou assente foi que o município tentará encontrar um conjunto de incentivos que garantam que os médicos optem por esta vila”, revela ainda o autarca.
INTEGRAR USF É OUTRA HIPÓTESE
Outra das alternativas que está a ser ponderada, não sendo ainda dada como garantida, poderá ser a entrada do polo da Mexilhoeira Grande numa das Unidades de Saúde Familiar de Portimão. No entanto, esta solução de médio prazo só poderá ser autorizada por um dos coordenadores de uma USF em Portimão.
“A direção afirmou que vai propor essa hipótese, mas a integração tem de ser aceite por um dos coordenadores das USF. Há uma possibilidade, mas não é garantido. Tem todas as condições necessárias e seria a melhor solução, a que faria mais sentido”, afirma. Até porque, o polo é para manter, mas tem de assegurar serviços de qualidade à população.
Ricardo Sobral enaltece que há uma forte preocupação e um compromisso assumido pelas três entidades envolvidas – Junta de Freguesia, Câmara Municipal e ACES – em unir esforços para encontrar soluções a médio prazo.
CONSULTAS AO ‘DOMICÍLIO’
Neste sentido, Ricardo Sobral acrescenta que outra das ideias que tem é a realização de consultas periódicas em zonas mais distantes da freguesia. “A freguesia é muito grande e tem uma dispersão elevada. Nem todas as localidades estão à distância de Portimão, a que a Mexilhoeira Grande a Figueira estão, por isso uma das nossas propostas a médio prazo, é termos uma semana em cada mês, em que a equipa médica se desloque, por exemplo, aos Montes de Cima, no dia seguinte vá à Pereira”, exemplifica.
Estas foram as diligências tomadas que serviram de tema principal à sessão de esclarecimento que contou com uma elevada adesão da população, por ser uma das preocupações prementes, acentuada por se tratar de uma comunidade com uma elevada percentagem de idosos, alguns deles dispersos pela freguesia e isolados.
População da Mexilhoeira Grande foi ‘chamada’ a conhecer situação do Centro de Saúde








