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Futsal e basquetebol alvinegros pela primeira vez juntos na elite


A história do Portimonense Sporting Clube é centenária, mas há sempre dados novos a acrescentar e, quiçá, a enriquecê-la, como sucede agora, em que o futsal e o basquetebol se encontram nas principais divisões dos respetivos Campeonatos Nacionais. É a primeira vez que, em simultâneo, as duas modalidades têm em ombros essa responsabilidade, para além, também, do orgulho de representarem a cidade e a região algarvia nos grandes palcos do desporto português.

O regresso do futsal à elite verifica-se quatro épocas depois da última presença. Curiosamente, foi em 2022/23, quando a equipa então dirigida por Pedro Moreira desceu, que o basquetebol, já sob a orientação de Carlos Almeida, festejou a subida, mas, na temporada seguinte, não conseguiu alcançar a permanência. Desta feita, note-se bem, o basquetebol alvinegro beneficiou da desistência do Imortal de Albufeira para voltar a medir forças com os ‘grandes’ da modalidade.

Seja como for, desde que desceu o Portimonense “teve sempre o objetivo de regressar à Liga”, pelo que, como diz Carlos Almeida, “nem foi preciso mudar muito o foco”, apesar de a constituição do plantel ter suscitado outro tipo de atenção e a questão orçamental, naturalmente, implicar novas contas, inclusive pelas constantes e longas viagens. O coordenador de todo o basquetebol do clube relembra, a propósito, que quando se deu a desistência do Imortal “houve tempo suficiente para preparar o regresso”.

A subida do futsal foi diferente e coroou uma época a todos os títulos notável, em que o grupo de José Santos superou toda a concorrência, festejou a quatro jornadas do final e juntou mais motivos para sorrir ao conquistar, também, o título de campeão nacional da II Divisão. Como diz Paulinho Rocha, coordenador-geral da modalidade, a temporada que se avizinha começou a ser delineada há uns bons meses…

Sporting e Benfica logo a abrir
O futsal, de resto, foi o primeiro a voltar ao trabalho, com vários jogos de preparação agendados e entretanto realizados. O campeonato começa dia 11 deste mês de setembro… e que começo! Na 1ª jornada o Portimonense defronta o Sporting, fora, e na 2ª recebe o Benfica, precisamente os crónicos candidatos ao título. “Não implica nada de especial. Jogar agora ou mais tarde é o que tem de ser, até porque temos de jogar contra todos. E ser contra Sporting e Benfica – duas das melhores equipas da Europa – logo a abrir vai ser uma motivação-extra para os nossos jogadores”, reconhece Paulinho Rocha.

A equipa às ordens de José Santos para a Liga Placard recebeu seis reforços e manteve a espinha dorsal. “Sim, o grupo forte ficou todo. Ajustámos peças nos diversos setores, juntando a experiência de alguns à irreverência dos mais jovens”, avança o coordenador, cujo passado no clube lhe permite dissecar objetivos, comparando, por exemplo, com a anterior presença no escalão máximo.

“Queremos fazer melhor, claro, é sempre assim ano após ano. E não vamos olhar ao que aconteceu, quando descemos, muito embora também não o esqueçamos, sobretudo para evitar as coisas menos boas. O nosso método de trabalho tem dado frutos e a ideia consiste em assegurar a permanência o mais rápido possível”, confessa Paulinho, salientando que “as maneiras de pensar são agora diferentes, mas os jogos é que acabarão por ditar como será a época”.

O arranque frente a Sporting e Benfica justifica mais comentários, sobretudo pela valia intrínseca dos rivais lisboetas. “Só jogam cinco de cada vez, é verdade, mas enquanto a maioria das equipas pode ter cinco a sete elementos acima da média, eles têm 12 ou 14 a um nível altíssimo. Para se empatar com Sporting ou Benfica é preciso estar no limite e beneficiar de uma tarde ou noite má desses adversários”. Mesmo assim, Paulinho, que sabe bem do que fala porque atuou no Benfica, deixa a receita: “Tentar enervá-los ao máximo, evitar que marquem cedo e chegar à baliza deles com alguma frequência”.


 
As viagens e os orçamentos
Se leões e águias estão na rota inicial do futsal, no basquetebol é a Oliveirense que marca o início da temporada em termos oficiais, com os alvinegros a receberem a turma nortenha no dia 3 de outubro. Um adversário que segue de muito perto os favoritos FC Porto, Benfica e Sporting e cujo valor é, portanto, inquestionável. Para o coordenador e treinador Carlos Almeida, no entanto, “estamos devidamente preparados e a experiência anterior (apesar da descida lutámos até ao fim) dá-nos maior experiência”.

O Portimonense reforçou-se com cinco ‘caras novas’ e por competir na Liga Betclic pode e vai apresentar seis estrangeiros, em vez dos três da II Divisão. Da última temporada transitam oito elementos, ou seja, a chamada espinha dorsal não se desfez. “Sabemos que será um campeonato dificílimo e deveras competitivo. Todas as equipas têm qualidade e todas se reforçaram”, garante, acrescentando que “os erros do passado foram logo alvo de análise e bem identificados”.

Há fatores, porém, impossíveis de controlar, como as desgastantes viagens para os jogos e os orçamentos de muitos adversários, que são inatingíveis para os algarvios. “Construímos um plantel equilibrado, com qualidade humana, o que é fundamental. Este grupo é porventura mais jovem e ambicioso, com capacidade diferente para lidar com os obstáculos”, realça Carlos Almeida, prometendo muita união para ajudar a equilibrar as forças durante o campeonato.

O basquetebol tem a ‘casa’ montada no Pavilhão da Boavista e o futsal no Gimnodesportivo, o que, no entender de André Gomes, o diretor-geral do Portimonense com quem o Portimão Jornal também falou, é uma mais-valia importante. “Conseguimos manter a ‘casa-mãe’ das duas modalidades, o que permitirá, certamente, reunir as melhores condições no sentido de proporcionar bons espetáculos”.
 
Sócios com prioridade na compra de bilhetes
André Gomes fala numa mescla de “orgulho e responsabilidade” pela presença das duas modalidades nos principais escalões. “A subida do futsal, conquistada atempadamente, abriu portas para que a preparação desta época começasse bem cedo. Os resultados alcançados, a qualidade do grupo e a confiança também contribuíram. O basquetebol foi diferente, e, embora tivéssemos lutado até à última jornada, o resultado não nos sorriu na Póvoa. Entretanto surgiu a situação do Imortal e os contactos imediatos com a Federação tiveram logo resposta e tornaram este sonho realidade”, resume o diretor.

Jogar ao mais alto nível é muitas vezes sinónimo de maiores despesas, mas o responsável assegura que “a questão orçamental” foi tratada ao pormenor e sem desvios, mesmo com as dificuldades inerentes. “Cada vez que entramos num autocarro andamos, no mínimo, 600 quilómetros. E sempre que vamos ao Norte, o que sucede muitas vezes, ultrapassamos os mil”, atira André Gomes, abordando a desvantagem que o Portimonense enfrenta face à situação geográfica.

“Grande fatia do orçamento vai para as viagens, mas é impossível alterar este quadro”, reconhece. O mesmo rigor, aliás, estendeu-se ao reforço dos plantéis das duas equipas, muito cuidado e sem loucuras, não obstante “gostássemos de ter um Ricardinho no nosso futsal”. Mais a sério, “optámos pelas devidas soluções sob o ponto de vista desportivo e financeiro, formando equipas competitivas”.

André Gomes fala ainda do poderio de FC Porto, Benfica e Sporting, “mais a Oliveirense”, no basquetebol, e dos “extraterrestres do futsal”, citando águias e leões, sem esquecer o Braga, “mas dentro da quadra é um jogo de cinco contra cinco e vamos dignificar o clube e a cidade”. O diretor aproveita ainda para anunciar uma campanha para os sócios, que, sem descurar os restantes adeptos, terão prioridade na compra de bilhetes para os jogos nos pavilhões.
 
A bandeira de toda uma região
Portimão vai assim receber a visita de ilustres adversários e das suas massas adeptas, nomeadamente de Benfica, Sporting e FC Porto. “Sabemos que o principal escalão atrai mais público, seja em que modalidade for, e, também por isso, queremos captar mais portimonenses, novos adeptos e novos sócios. Mas sim, vai ser bonito ver a cidade com maior movimentação e deixo já um convite para toda a comunidade”, destaca André Gomes, dando um exemplo curioso para o segundo dia de 2027, quando leões (futsal) e dragões (basquetebol) visitarem os alvinegros.

Esta desejada maior envolvência dos adeptos e da cidade com o clube é também expressa por Carlos Almeida, que, inclusive, fala de “um novo Portimonense”, um emblema que quer “associar capacidade desportiva a gente de qualidade”. O homem forte do basquetebol sublinha o orgulho que todos devem sentir ao ver Portimão tão bem representado no mapa do desporto nacional. “Esperamos conseguir mais constância e regularidade no nosso desempenho, para andarmos sempre na elite. E que as pessoas colaborem cada vez mais e ajudem a dignificar Portimão”.

Paulinho Rocha aproveita o mote e aponta “a importância de o Portimonense representar uma região inteira”, já que nenhum outro clube algarvio está em ação na elite destas modalidades, assumindo o peso que têm em ombros no que concerne ao futsal. “No ano passado, todavia, já tínhamos uma enorme responsabilidade e fomos nós que puxámos o público, com a qualidade do nosso jogo e dos jogadores, de tal modo que as lotações estavam quase sempre esgotadas. Queremos manter-nos na primeira divisão e aumentar a satisfação e o orgulho dos adeptos e de todos os portimonenses”.

Falta o futebol entrar no mapa

Com o futsal e o basquetebol em alta, falta o futebol entrar, em força e com maior representação, no mapa do desporto português. A equipa da SAD, agora dirigida por Alex Costa, teve um bom arranque na II Liga, averbando duas vitórias e um empate (no Seixal, frente ao Benfica B) nas três primeiras jornadas e dando mostras de franca melhoria em relação à época passada, mas, na última ronda, ‘manchou’ o registo com uma derrota caseira, com o Leixões, por duas bolas a zero. A equipa do clube, por sua vez, que baixou à I Divisão Distrital da AF Algarve, é treinada por Pedro Simões e começa o respetivo campeonato no dia 19 deste mês, defrontando o Esperança, em Lagos. O grande objetivo, naturalmente, é subir e regressar ao Campeonato de Portugal, e, para o efeito, conta com Carlos Henriques, o guarda-redes de 33 anos que regressa à ‘casa’ onde já festejou alguns êxitos.

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