No Portimão Surf Clube, o fisioterapeuta e campeão de bodyboard Filipe Costa presta acompanhamento aos praticantes de parasurfing, quer tenham experiência, quer estejam a experimentar o desporto pela primeira vez. Os atletas recebem apoio de fisioterapia, treino de força e equilíbrio, bem como preparação específica para o surf. O objetivo é melhorar o desempenho, reduzir o risco de lesão e ganhar confiança na água. Cada turma tem, no máximo, cinco alunos, para que todos recebam a atenção de que precisam.
Segundo Filipe Costa, “este projeto aproxima-se dos três anos de existência oficial, embora o trabalho decorra há mais de cinco”, quando o profissional conheceu o atleta Pedro Palma. “O conceito é trabalhar na prevenção de lesões e na melhoria do desempenho de quem pratica surf adaptativo, surf ou bodyboard. Em Portugal, o parasurf existe há cerca de dez anos, graças a Elson Pereira e Nuno Vitorino, com o Surf Addict”, conta.
Os atletas têm trabalho específico de ginásio às segundas, terças e quintas-feiras, ao fim do dia, para não prejudicar os estudos. A sexta-feira é dedicada à piscina e à adaptação ao meio aquático. Ao sábado, de manhã cedo, estão na Praia da Rocha a divertir-se com as ondas e as pranchas.
Pedro Palma é o atleta de para surf mais destacado do clube. Aos 25 anos, conta já com um percurso internacional que inclui o título de vice-campeão europeu. Começou a surfar há cerca de seis anos e acompanha a secção desde a sua fundação. Em entrevista ao Portimão Jornal, fala um pouco sobre o seu percurso.
Como surgiu a ideia de surfar?
O meu irmão treinava com o Filipe e, uma vez, fui com o meu pai, experimentei e gostei. Depois, disse ao Filipe que queria surfar. Ele impôs-me uma condição para me treinar: que eu andasse. E consegui. Começou como uma brincadeira, mas até tinha jeito e quis começar a entrar em competições. A primeira foi em Pantín, Espanha, onde consegui o segundo lugar. A partir daí, tenho sido chamado à seleção. No ano passado, fui vice-campeão europeu. Este ano, subi três vezes ao pódio: fiquei em terceiro lugar em França, em segundo em Inglaterra e venci em Espanha. Estes resultados são fruto do trabalho conjunto do Filipe, do meu pai e meu. Agora, estou à espera da convocatória para o Mundial. Espero ser selecionado, pelos resultados que tenho obtido.
Porquê o surf e não outra modalidade?
Já estava habituado à água, porque vivi em Setúbal e havia uma piscina na quinta dos meus avós. Como a utilizava muitas vezes, já conhecia bem o meio aquático e foi mais fácil iniciar-me no surf.
Como é ser embaixador do Plano Nacional da Ética no Desporto?
Para mim, ser Embaixador do Plano Nacional da Ética no Desporto (PNED) significa poder usar o desporto e o meu percurso para mostrar que a verdadeira vitória está também no respeito, na inclusão, na superação e na forma como inspiramos quem está à nossa volta. Quero aproveitar essa oportunidade que o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) me concedeu recentemente para divulgar a modalidade e trazer mais pessoas para a praticar.
E acha que vai conseguir?
Vou conseguir, pouco a pouco, porque quero que o desporto cresça.
Quais são os países europeus que levam mais atletas às competições?
A França e a Espanha, onde a modalidade já está muito desenvolvida.

O que é necessário para alguém começar a praticar para surf?
Primeiro, procurar um clube da sua zona e experimentar. Se gostar, pode optar pela competição ou pelo free surf. Depois, se quiser continuar, pode começar a adquirir o seu material. Também é preciso não ter medo da água; às vezes leva uns ‘caldos’, mas não é nada de especial.
Atleta conta com o apoio do pai
Luís Pedro Palma, pai do atleta, é um apoio constante nesta aventura. No dia desta entrevista ambos tinham começado às 7h30, na Praia da Rocha. Depois, deslocaram-se à Arrifana para apanhar ondas e, à noite, estavam no ginásio para a aula das 19h30. “Temos de acordar cedo e, depois, são muitas horas no carro e na praia. Praia, praia, praia! Mas quem corre por gosto não cansa. E consigo organizar o meu tempo, porque sou trabalhador por conta própria”, conta o pai do atleta. Refere ainda as mudanças no comportamento de Pedro Palma desde que começou a praticar a modalidade. Ele “é muito focado e resiliente. Gosta de levar as coisas ao limite. A modalidade deu-lhe objetivos que antes não tinha, o que foi muito positivo. É muito respeitado pela comunidade do surf, ganhou o seu espaço e isso tem sido importante, até para a sua autoestima”, descreve.
Levar mais pessoas à praia
O Núcleo apresentou uma candidatura a um projeto promovido pelo Comité Paralímpico, com o objetivo de trazer à praia pessoas do interior do Algarve e do Baixo Alentejo. A candidatura foi aprovada e prevê verbas para dinamizar a modalidade e chegar a quem, até agora, não conseguia deslocar-se à praia. Já foram realizados alguns contactos, mas o passo decisivo, segundo afirma o Núcleo, é a atribuição de uma viatura, das dez disponíveis a nível nacional, uma vez que o transporte é essencial para concretizar o projeto. Entretanto, o Núcleo tem encetado contactos com instituições e está aberto a todos os que desejem entrar no projeto. Neste momento, já recebe jovens utentes do Bom Samaritano e da Associação Portuguesa para as Perturbações de Desenvolvimento e Autismo (APPDA) do Algarve. E algumas instituições do interior já mostraram interesse, se a questão do transporte for resolvida. O Núcleo de Parasurfing pode ser contactado por telefone (913 190 585).








