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Confraria Gastronómica apadrinhou homóloga do Luxemburgo

A milhares de quilómetros da costa algarvia e do aroma da sardinha assada que se sente no verão, existe uma comunidade que continua a preservar Portugal no coração.

Foi ao encontro desses portugueses que a Confraria Gastronómica da Sardinha de Portimão se deslocou ao Luxemburgo para apadrinhar a recém-criada Confraria da Sardinha nesse país, no dia 13 de junho.
Será uma associação que pretende preservar, promover e celebrar um património gastronómico que ultrapassa fronteiras e promove Portugal no mundo.

Trata-se da primeira confraria dedicada à sardinha criada fora de Portugal, mas os seus promotores acreditam que não será a última.

Num gesto simbólico, a Confraria Gastronómica da Sardinha de Portimão até conseguiu passar a alfândega com água do mar, apanhada por uma traineira, para aspergir os novos confrades, algo que os deixou imensamente sensibilizados.

Os portimonenses não foram sozinhos, pois além da comitiva representada por oito membros, acompanhados por familiares, seguiram ainda para o Luxemburgo, como madrinhas, a Confraria da Broa de Avanca e a Confraria do Cultivo do Arroz, de Estarreja.

Encontraram uma comunidade profundamente ligada às suas raízes, onde o patriotismo, o orgulho na cultura nacional e o desejo de valorizar a sardinha, enquanto símbolo gastronómico e cultural, se manifestaram de forma evidente, em todos os momentos.

O impacto da iniciativa foi tal que Tom Weber, o vereador da cultura e da convivência do município de Jonglënster, no Luxemburgo, participou na cerimónia de entronização dos confrades fundadores, proferindo um discurso em que valorizou a sardinha portuguesa como elemento importante para manter a tradição e a cultura dos portugueses residentes no Grão-Ducado.

Fernando Resende, recém-empossado presidente da Confraria da Sardinha do Luxemburgo, era um homem feliz e emocionado, tanto mais que nasceu no ‘Lugar da Sardinha’, uma aldeia do interior, mas que a tradição afirma ter sido ponto de distribuição da iguaria, em tempos muito recuados, quando o mar ficava muito mais perto.

Como e quando surgiu a ideia de criar a confraria?
A ideia nasceu em março do ano passado. No Luxemburgo realiza-se, há cerca de 40 anos, o Festival das Migrações, onde muitas pessoas aproveitavam para comer as primeiras sardinhas assadas do ano. Eram consumidos entre 100 e 200 quilos de sardinha. Entretanto, a organização alterou o conceito do festival, proibindo a utilização de carvão vegetal e de gás. Perante essa mudança, senti que era necessário encontrar uma forma de preservar esta tradição gastronómica tão nossa e tão apreciada. Além disso, queremos desenvolver novas formas de confecionar a sardinha, capazes de atrair os mais jovens, que têm hábitos e sensibilidades gastronómicas diferentes. A sardinha assada é extraordinária, mas está longe de ser a única forma de apreciar este peixe.

Foi difícil reunir as pessoas necessárias para criar a Confraria?
Não foi fácil. Tivemos de encontrar uma data que permitisse a deslocação simultânea das confrarias madrinhas, conciliando disponibilidade, boas condições climatéricas e custos acessíveis das viagens aéreas. Felizmente, conseguimos ultrapassar todas essas dificuldades e hoje é um dia muito feliz e particularmente emocionante para mim.

Quais são os principais objetivos da Confraria da Sardinha do Luxemburgo?
Quando estamos longe da nossa terra, sentimos sempre necessidade de manter viva uma parte da nossa identidade. Felizmente, vivemos num país que acolhe e respeita a nossa cultura. Os portugueses são vistos como pessoas trabalhadoras, humildes e de bem. Queremos preservar as nossas tradições, divulgar a riqueza gastronómica associada à sardinha e reforçar os laços entre a comunidade portuguesa e a sociedade luxemburguesa.

“Na qualidade de vereador da cultura e da convivência, tive a honra de assistir à inauguração da primeira Confraria da Sardinha fora de Portugal, no dia 13 de junho”, começou por afirmar Tom Weber. Uma espécie que é um alimento importante na gastronomia portuguesa e, ao mesmo tempo, um fator de desenvolvimento económico do país. “Graças à gestão responsável dos seus recursos, também é um exemplo de sustentabilidade. Acima de tudo, é um símbolo da cultura portuguesa, da união, das festas e da preservação da tradição”, disse ainda o responsável. “Com esta confraria, esta cultura tem agora um lugar permanente em Jonglënster e contribui para aprofundar as ligações entre as culturas”, conclui Tom Weber, agradecendo o convite para participar nesta sessão.

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