Primeiro a subida, depois o título. O Portimonense garantiu o regresso à elite do futsal português e sagrou-se campeão nacional da II Divisão a quatro e três jornadas do final da prova, respetivamente, livrando-se assim de qualquer ansiedade típica destas fases decisivas da época. O treinador José Santos, aliás, resume de forma linear este sentimento, ao dizer que “concretizámos todos os nossos objetivos à primeira, sem passar por mais semanas de ansiedade”.
Tratou-se, de facto, de uma caminhada fantástica, numa altura em que falta ainda uma jornada para o termo do campeonato, e, embora o planeamento tivesse sido “feito a pensar no sucesso”, não deixa de constituir um marco na vida de todos os envolvidos, como no caso particular de Paulo Rocha, o coordenador de toda a modalidade. “Estar à espera estamos sempre, porque as coisas são feitas a pensar no futuro e no sucesso. O plantel foi construído de há três anos para cá, sempre com equilíbrio, mas esta época, reconheço, houve maior equilíbrio que nos anos anteriores”.
Paulo Rocha, ou Paulinho, como era mais conhecido quando jogava, vinca que o objetivo era “ter uma equipa competente, a nível de jogo, em termos de concentração, intensidade, rigor e compromisso acima de tudo”. Tudo funcionou, ao pormenor, “mas ao que está por trás tem de se dar muito valor, nomeadamente o trabalho diário e a dedicação da equipa técnica, staff, estrutura e jogadores, principalmente estes, que são os maiores obreiros da conquista”.
O coordenador releva também o que se passou no seio do grupo, que contribuiu para este estado de graça. “Nunca passámos nada para fora, tudo foi sempre discutido e analisado dentro de portas, inclusive quando tínhamos de elogiar ou criticar. Mesmo com a boa consequência de resultados houve um claro travão à euforia. No pós-jogo todos davam opinião e depois de ganharmos um jogo já se estava a pensar no outro”.
Passos seguros na Liga Placard
Paulo Rocha, que assumiu o futsal há três anos, recorda que, nessa altura, quando o clube desceu de divisão, prontificou-se a ajudar a recolocar os alvinegros no escalão principal. “Foi o coração a falar, sem saber que seria nas condições depois propostas pelo clube. Bateu certo e é uma alegria imensa. Estou cá há oito anos e é bom partilhar com todos, da direção aos adeptos”, deixando uma palavra ao presidente Fernando Rocha, que “ajuda muito”, e à estrutura, incluindo a que “já cá não está, caso da Ana, que dava um suporte acima da média”, sem esquecer que a filha, em certos dias, chegava a passar tardes no carrinho, dentro do pavilhão.
À conversa com o Portimão Jornal, o coordenador, um homem do Norte e profissional de futsal que jogou no Benfica, Braga, na Rússia e na Bélgica, confessa que se sente agora “muito mais da terra”, embora sem renegar, obviamente, as suas raízes. E, aludindo à carreira na modalidade, garante que ser responsável “custa menos no corpo, mas mais na mente”, ao passo que, como jogador, era o contrário.
Com a I Divisão no horizonte, Paulo Rocha já tem ideias definidas. “Vamos dar passos firmes. Anos atrás era tudo novo, agora temos uma base e as apostas que faremos terão de ser certas. A Liga Placard é cada vez mais difícil e queremos por lá ficar, mas com passos seguros, não maiores do que as pernas. O suporte que vamos levar será muito importante e os que vierem será para ajudar”.
O treinador José Santos corrobora a posição, argumentando que “a transição é complicada, mas vamos manter o núcleo duro do plantel e recrutar alguns elementos com qualidade para garantir a permanência. O futsal está muito mais competitivo, mesmo na II Divisão, notando-se uma enorme evolução a nível geral, de clubes, plantéis e técnicos. Nenhuma vitória é fácil”, resume.
Nado e criado em Ferragudo, o técnico está há sete anos no Portimonense e começou por ser adjunto de Pedro Moreira, na época da primeira subida, passando a principal nos últimos três anos. “O segredo foi o trabalho e a união. Desde a descida que nos mantivemos fiéis à nossa ideia e método de jogo, e, desta feita, com maior conhecimento da prova e dos jogadores e com um plantel homogéneo, conseguimos ter êxito”.
Cumplicidade e grande ambiente
No plantel do Portimonense há dois jogadores com uma carreira peculiar, ou não estivessem a atuar juntos há 13 épocas, mesmo representando mais do que um clube. Para onde vai um, vai o outro. Falamos de André Rochato e Filipe Soares, conhecido por Filipinho, também especialistas em subidas: pelos alvinegros somaram a terceira, às quais se juntam as alcançadas no Albufeira Futsal e na Pedra Mourinha.
“Este grupo é espetacular! Já estive em vários e aqui destaco a amizade, desde o primeiro dia, dentro e fora do campo. Jogamos com garra e dedicação, e, com a ajuda da equipa técnica, tudo correu de forma perfeita”, realça André Rochato, 35 anos e enfermeiro de profissão, com uma forte ligação ao emblema portimonense. “É a 13ª época juntos, é verdade, em que ajudo o Filipinho a brilhar”, atira, brincando com o amigo e colega de tantos anos.
Filipe, por sua vez, destaca a cumplicidade, que se estende ao lado familiar e aos “dois filhos pequenos” de cada um. “Sempre criámos bons ambientes, com apoio mútuo, levando o que está fora para dentro do campo. Sendo assim, é meio caminho andado”, adverte, antes de uma análise sucinta à temporada. “O momento-chave talvez tenha sido o registo de quatro vitórias consecutivas, ainda na fase inicial. Vencíamos bem e na segunda feira seguinte estávamos já focados no próximo jogo”, deixando também uma palavra de apreço aos adeptos.
Por fim, num rápido olhar sobre a Liga Placard, reconhecem a maior competitividade e qualidade de todas as equipas, com expressão lógica no recente título europeu ganho pelo Sporting, mas acreditam que o Portimonense reúne condições para se preparar a preceito. “O clube e a cidade merecem estar no escalão máximo”.
Quadro de honra
Jogadores: Juan Pinheiro, Cláudio Conceição, Pedro Senra, Filipe Soares, André Rochato, Tomás Reis, Afonso Serra, Pedro Bartolomeu, Santi, João Mikus, Tomás Ferreira, João Silva, Gui Marques, Montanha, Marco Gomes, Vitinho, Tiago Amorim e Varela
Equipa técnica/staff: José Santos, Nelson Ferreira, Abdul Catar, Marco Ramos e Mário Barroso
Coordenador: Paulo Rocha








